“Nunca Acabou Para Mim”, Beltrami, Juiz da Batalha dos Aflitos

Beltrami pressionado pelos gremistas
Foto emblemática da Batalha dos Aflitos

Em novembro deste ano completará exatos 15 anos do jogo que ficou conhecido como “A Batalha dos Aflitos”. A história é quase uma ficção e verdadeiramente inacreditável. Difícil um amante do futebol não saber do quê se trata.

E de tão surreal que foi aquele jogo, ele segue presente na vida de todo torcedor gremista, mesmo após tanto tempo. Deles e de ao menos mais uma pessoa: Djalma Beltrami, o árbitro daquele duelo, numa tarde quente de Recife, no 26 de novembro de 2005.

O ex-árbitro de futebol e Coronel Reformado da Polícia Militar do RJ, concedeu uma entrevista ao Jornalista Duda Garbi, do Grupo RBS, e contou o quê pensou naqueles 11 minutos fatidicos, e o quê guarda daquela experiência até hoje.

Ele considera merecer uma nota 9 pela arbitragem. Disse que conhecia todo ambiente dos Aflitos e sabia o quê cada time precisava para se classificar. O ambiente no Estado pressionava para que os dois clubes de Fortaleza subissem de divisão naquele dia.
Durante toda a confusão pensava o tempo todo em Deus. Pedia para conseguir tomar as decisões corretas e tem a convicção que seus pedidos foram atendidos quando Anderson faz o gol da vitória gremista.

Ele relata que durante toda a confusão, conversou com os jogadores do Grêmio, pedindo para que se controlasse, pois o pênalti ainda não tinha sido convertido e ele não queria expulsar mais nenhum jogador gremista.

“Se Anderson rola para mim, eu mesmo ia fazer o gol!”, disse ele, por fim.

Ao longo desses quase 15 anos, perdeu as contas de quantas entrevistas deu sobre o jogo. E jamais imaginou que o duelo fosse virar história.

Beltrami atualmente é instrutor de arbitragem no Estado do Rio de Janeiro.

Acompanhe os trechos da entrevista:

“Não era indiferente pra mim. Eu sabia bem da confusão em si. A vitória do Grêmio amenizava as possíveis críticas. O resultado fala muito pelo jogo e pelas críticas. Quando o Galatto faz a defesa, eu sinto Deus colocar o dedo na minha cabeça. Fico arrepiado mesmo depois de 15 anos. Quando o Anderson faz o gol, eu sinto Deus colocar a mão na minha cabeça. Eu corro pro meio e até brinco com amigos. Se o Anderson rola pra mim, eu mesmo ia fazer o gol. Estava eu e ele no lance bem em cima. Desde a confusão eu estava sempre em cima”.

“No lance, acontece algo que eu gostaria de ter mudado. Porque o zagueiro do Náutico que vai com o Anderson dentro da área tira o corpo e não toca nele. Eu queria que tivesse tocado. Eu daria o pênalti com mais convicção de toda a minha carreira. Mas quando sai o gol o sentimento é…. porque, com vitória do Grêmio, ficaria tudo mais fácil. Não que eu tivesse a sensação de ter feito alguma coisa errada, mas nunca imaginei que teríamos uma história pra 15 anos depois estarmos conversando. Até hoje eu falo daquele jogo. Nunca acabou pra mim”.

“Aquele gol do Anderson salvou vidas. Porque havia um clima muito tenso no estádio. O gol foi uma maneira de anestesiar os torcedores. Não tinha mais briga, mais cântico, mais confusão, mais nada depois do gol”.

“Se eu tivesse que dar nota, eu tenho a garantia que fiz uma arbitragem de qualidade, boa. Pela dificuldade que foi, com todos os problemas, da maneira que foi, eu diria que menos de 9 seria injusto. Sem tranquilidade, oração, meditação, eu não terminaria o jogo. Precisamos de muita paciência para que o jogo terminasse”.