Entrevista com Roger Machado e o sonho do Penta

Essa entrevista é de 2013, primeiro ano do Débora Futebol Clube no ar. Fomos recebidos com muito carinho na casa desse grande cara. Na época, Roger era auxiliar técnico tricolor, e estava empatado com o time do coração no número de títulos da Copa do Brasil. Três com o próprio Grêmio, um com o Fluminense quando era comandado por Renato em 2007. É o atleta com o maior número de conquistas da história da competição.

Conversando com o ex lateral esquerdo que ficou nove anos como atleta no clube que o formou, chegamos a conclusão que hoje é muito difícil algum outro atleta superar sua marca. Primeiro porque não existe mais a cultura de um jogador permanecer tanto tempo em um clube. A maioria deixa o time formador muito cedo, ou sonha com a independência financeira muito antes de ter uma chance no time profissional, e prefere ser vendido para o exterior. Não há mais seqüência de trabalho e, consequentemente, as chances de repetir os feitos anos e anos com a mesma camisa, se desfazem na primeira possibilidade de assinatura de um novo contrato.

No primeiro título, em 94, quando o Grêmio conquistou o bi-campeonato diante do Ceará, Roger tinha apenas 19 anos, recém alçado ao grupo principal e já com a possibilidade de comemorar a titularidade e a primeira volta olímpica. Era a fase da afirmação. Nessa entrevista de três anos atrás, ele via na ascensão dos meninos RamiroAlex Teles, Bressan, uma lembrança dos passos que trilhou 19 anos atrás. Moleques que receberam a confiança para brigar pelo time, e precisavam mostrar que além de juventude e vontade, podem retribuir com segurança em campo.

Em 97, quando a vítima foi o Flamengo na final, ele tinha 21. Só! E ali já era campeão brasileiro, da libertadores, vice mundial. Um senhor guri! O veterano mais jovem que se podia ter. E ali viu um Maracanã que acolhia cem mil rubro-negros, se calar diante dos cinco mil tricolores que foram ver de perto a terceira taça. A oportunidade de mostrar que todo caminho percorrido deixou lições e experiência para não deixar ninguém querer bater a vontade particular dele de ser bi. Experiência que ele via na época em Kleber, Barcos, Zé Roberto…atletas com currículo vitorioso e que também queriam a retomada das conquistas.

Em 2001, Róger havia enfrentado um ano difícil com uma lesão que resultou em uma infeção e o ano quase se deu por perdido. Nem vinha jogando com frequência e também já não era mais titular, mas quis o destino que ele fosse o substituto de um companheiro na decisão contra o Corinthians, e lá estava ele na foto oficial do time que entrou em campo para defender o tetra gremista. Predestinado a fazer parte da história. E é isso que ele tenta passar para aqueles que nem sempre jogam e talvez não tenham as chances que se julgam merecidas. Um dia pode ser O dia, não se pode deixar de trabalhar.

O tetra veio no apagar das luzes da carreira. Se Renato adora estufar o peito e brindar os títulos que acumula na carreira, o daquele ano precisa agradecer também ao Róger. Foi dele o gol do título contra o Fluminense na primeira conquista do tricolor carioca na Copa do Brasil. Juntos novamente no dia desse entrevistas, uniram forças novamente, e tentaram repetir o feito no lugar onde os dois deram os primeiros passos. Mas não deu.

Em 2016 só Renato assume agora esta comando, que era até então de Roger, numa mescla dos dois vitoriosos para, quem sabe, fazer do passado, presente de alegrias.